Plano Bê: te achei

538626_241603682608612_2118215151_nEu queria te escrever uma música. Ah, sei lá, você gosta de músicas e eu achei que seria bem bacana fazer uma música para você, mas se estou aqui escrevendo agora é porque o primeiro plano não deu certo.

O que eu queria dizer é que você é lindo e eu passei um fim de semana encantado. Quem diria que um programa de índio numa fazenda distante e uns celulares sem linha iriam render tanta coisa? Eu só acredito porque vivi. Os amigos, o fogo, o violão, o céu, foi tudo mágico. Não sei por que seu olhar me incomodava tanto, me tirou da minha zona de conforto por eu não conseguir te decifrar e, na boa, ainda não sei se você merece que eu dedique uma folha A4 só para falar de você, mas queria muito que merecesse. O que você quer? Eu quero você.

Finalmente eu te achei!  É que faz tempo que eu te procurava e não é todo dia que se encontra uma pessoa assim. E não disfarça, você também me viu diferente de tudo que havia ali. Você me olhava e eu me esforçava para disfarçar o quanto estava impressionada. Quando você sorriu eu senti um calorzinho no peito, daqueles que te avisa quando a pessoa é especial. Sabe? E eu nunca fui insegura com as pessoas, se eu quero eu falo. Se eu quero, e quando quero, eu vou e beijo, mas com você foi diferente. Eu me vi ensaiando mil vezes para me aproximar e refazendo a frase perfeita que eu ia dizer para te impressionar. Imaginei outras mil vezes minha mão percorrendo o espaço entre nós e tocando a sua, morri de vontade de esquecer aquele momento das formalidades e pular logo para a parte em que você pegava na minha cintura. A gente ficava abraçados falando coisas de casal entre um beijo e outro. Tive medo então estacionei. Eu esperei de você, você esperou de mim e paramos no tempo.

O que você quer? Eu quero você. No mundo inteiro, agora que eu te achei, eu quero só você. Se fosse para escolher entre todas as possibilidades que tenho no momento eu escolheria você, sem pensar duas vezes, sem duvidar de que seria a escolha certa. Eu trocaria até de cor preferida para ser o motivo desse sorriso lindo, não é uma renúncia muito grande, eu sei, mas é para você saber que estou disposta, estou aqui, esperando um sinal. O que você quer? Eu quero você.

Bethania Davies

Foto: reprodução.

Plano Bê: a cor do amor

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O nome do esmalte era malícia. Vermelho, intenso, vibrante. Uma cor que não condizia muito com o seu atual estado de espírito, mas ela não queria deixar que a melancolia prevalecesse. Saiu de casa para provar para si que ainda era divertido fazer aquilo, não que ela tivesse desistido em algum momento, mas naquela noite ela não queria ter que sair. Mas achou que era preciso.

Se arrependeu dez minutos depois, e uma hora depois de novo, e pelo resto da noite. Percebeu que não se acostumava com aquele lugar, com aquele rímel preto, nem com o nome daquele esmalte, pelo menos não naquela noite. Em fim olhou a redor e resolveu voltar para casa. Assumiu para si que estava fazendo tudo errado. Que tudo que mais queria era alguém que quisesse saber o que ela fazia da vida e como se chamava seu cachorro. Uma pessoa tipo aquelas que perguntam pelos pais e pedem “como foi sua segunda-feira?”.

Aquela noite ela não queria beijos de emergência com uma trilha sonora estonteante. Queria uma mão carinhosa na sua. Queria um beijo calmo e devagar daqueles que tem sua própria trilha sonora, daqueles que você abre os olhos para conferir e percebe que a pessoa está com os olhos fechados curtindo tanto quanto você o momento.  Ela queria um cinema, uma risada, uma companhia.

Queria um abraço quentinho e um olho no olho prometendo um “para sempre”. Mesmo que o para sempre durasse só até o próximo sol nascer, já teria salvado sua noite, pois ela sempre teve paixões distantes e ainda alimentava muitas, mas aquela noite ela queira alguém perto. Alguém com quem ela pudesse ser feliz sem medo da data marcada no bilhete de volta fazendo o tic-tac do relógio correr depressa. Estava cansada de longas ligações telefônicas e só promessas. Queria alguém fisicamente possível de alcançar.

Aquela noite ela estava linda, mas para ninguém. E ela estava querendo ser linda para alguém. E aquela cor de esmalte atraia gente errada, gente que não entendia seu coração nude de ingenuidade querendo só receber amor. Será que nude é a cor do amor? Não sabia, mas achava que amor de verdade tem que ter uma cor que represente verdade, calma, passividade. Uma cor que liberta, tranquiliza e traz calma para qualquer tempestade.

Ela criou sua própria tempestade mas queria parar, queria alguém que merecesse não só seu guarda-roupas, mas também seu coração. Alguém que quisesse conhecer não só seu quarto, mas seus livros e suas ideias. Alguém que quisesse entrar não só na sua casa, mas na sua vida. Queria ser de alguém.

Mas, meu Deus! Quem? Se parecia que todos os casais do mundo já tinham se encontrado e faziam questão de esfregar na cara do mundo como eram felizes. Se parecia que não tinha sobrado ninguém para ela. Ela também já tinha amado, mas não deu certo várias vezes, só que ela já estava ficando cansada e com medo de tentar. Mas aquele dia ela queria mesmo alguém.

É… Talvez ela estivesse procurando demais e nessas coisas do amor a gente deve ter paciência para não fazer bobagem.  As vezes seu humor combinava com um esmalte rosa, já tinha sido vermelho em muitas ocasiões e preto em outras. Mas ela prometeu nunca mais usar um esmalte que não combinasse com sua alma, agora, livre.

Não que a cor de um esmalte seja uma revolução, mas pensou que é nas pequenas coisas que a vida vai ensinando e que não precisava fingir para as pessoas algo que não sentia e alguém que não era. Acabou de pensar isso e caiu a ficha de que agora sim estava agindo como uma mulher, a que sempre quis ser: inteligente, dona de suas próprias atitudes e decidida. Acreditou que agora havia aprendido a lição e se na próxima esquina o amor estivesse esperando ela estaria pronta com seu sorriso aberto, alma lavada e, dessa vez, com um esmalte nude só pra garantir.

Bethania Davies

Foto: reprodução.

Plano Bê: eu quero sentir…

O inverno está ali fora batendo na minha porta e, pensando bem, eu acho que está na hora de declarar oficialmente aberta a temporada de paixões.

Ando meio a fim de me apaixonar mesmo e isso tá estampado na minha cara. Quero alguém que me mostre que vale a pena, que a vida pode ser linda, que os sábados de sol podem ser mais maravilhosos do que sempre foram desde o início dos tempos.

Quero alguém que me mostre ser diferente e prove que eu não estou errada em ainda acreditar no amor, eu quero acreditar. Quero alguém que tire meu coração do pedestal de gelo onde eu o coloquei quando tive medo do amor. Alguém que me faça querer ser a melhor versão de mim mesmo.

Já ando meio entediada de tanto ceticismo na minha vida e de todos os dias certificar a minha preguiça em ter alguém. Já passou esse tempo e agora eu estava querendo alguém pra tirar meus pés do chão. Para deitar e sonhar, para olhar estrelas e fazer coisas bobas de casal.

Quero alguém que me desconcerte, faça meu estômago ficar comprimido e meu coração apertar de saudade. Alguém que faça o inverno virar primavera toda vez que sorrir para mim. Eu não quero mais fugir, por favor, eu quero alguém que me faça sentir!

Bethania Davies

12Foto: reprodução.

Plano Bê: Eu quero é…

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…frio na barriga. Contar os minutos para ver alguém. Perder a noção do tempo. Planejar o fim de semana perfeito. Querer que o tempo congele. Pele arrepiada. Mãos suando.  Coração acelerado. Me encontrar num abraço. Contar segredos. Sorrir feito uma boba. Ter uma “nossa música”. Ligações demoradas depois das dez. Sorrir ao ouvir um nome. Mãos dadas. Cumplicidade.

Eu quero é me apaixonar! Mesmo que seja precipitada ou impulsivamente. Paixão é bom e ponto. E eu me apaixono mesmo, faço declarações de amor mesmo, escrevo texto apaixonado MESMO! Acho que as pessoas andam céticas demais. Amando de menos. Não sei não, mas se elas amam, estão disfarçando muito bem! Já eu nem faço questão de esconder, sou uma pessoa muito melhor quando me apaixono.

Penso o seguinte: ninguém começa relacionamento esperando que ele acabe, mas, e daí se não der certo? Pelo menos você fez seu coração vibrar por um tempo. Limpou as teias de aranha e o fez pulsar forte e feliz. Se não der certo, pelo menos você agora tem bateria para a temporada de solidão, pois a carga de energia da vida a gente abastece nos curtos períodos em que estamos sob o efeito da paixão.

Não sou muito louca, nem precipitada, e posso dizer que nos últimos três anos eu tornei público, no máximo, três amores diferentes. E… Droga! Não deu certo com nenhum deles. Mas e daí? Pensa que me arrependi? Eu não tô nem aí! Eu quero é me apaixonar!

Eu adoro a paixão, quase mais que o amor. Paixão é que devia ser eterna. Imagina só se todo mundo vivesse sempre apaixonado? Pela vida, pelo trabalho, por alguém…  O mundo ia ser um lugar sensacional! Tá faltando gente apaixonada. Por favor, se apaixonem mais! É uma pena, mas enquanto eles enfiam suas caras no computador, em processos civis e sistemas binários para sustentar a nomenclatura de pessoas sérias e equilibradas, eu estou fazendo minha parte: sorrindo feito besta por aí; cantando junto com o rádio, no semáforo, e rindo da cara de espanto do “vizinho” que para ao lado. Estou fazendo minha parte melhorando o mundo, me apaixonando. De novo e de novo e de novo. Do jeito mais gostoso que a vida pode proporcionar a alguém. Se isso é loucura eu quero permanecer louca, louca, louca, mas, incrivelmente feliz. Serei um ponto colorido neste mundo pálido dos normais.

Bethania Davies

Foto: reprodução.

Plano Bê: a cura

85172dbae8cae124416186efe3a7c9a8Eu sou assim: quando eu me encanto com alguém fico doente.

Aconteceu comigo quando te conheci e, mesmo que eu já tivesse visto esse filme dezenas de vezes na minha vida, eu quis me jogar. Tudo bem, o risco foi meu, o coração é meu e eu o dou pra quem eu quiser e queria dá-lo a você. Você sabia disso e se fez de bobo. Um bobo lindo por sinal. E eu adoeci de amores. Só que, de certa forma, algo esfriou entre nós. E agora não sei se eu que sou exagerada – com essa minha facilidade de gostar, me entregar e fazer planos – ou se foi você que quis pouco mesmo de nós. Você podia ter tido tanto de mim, se quisesse você poderia ter me ganhado para sempre, mas não te contei que o meu ciclo vulnerável dura apenas sete dias, depois disso os meus anticorpos reagem e a cura chega com a mesma rapidez que adoeci. As vezes tenho medo de te perder pra minha própria indiferença.

Sei que digo isso com tamanha convicção só porque você está longe, porque o incrível da paixão é que – diferente de outras doenças – ela é um vírus que a gente adora pegar, né?  E se eu soubesse onde você está, te buscaria e me exporia de novo, quantas vezes fossem necessárias, aos altos riscos contaminatórios desse teu sorriso. Eu não tenho medo de gostar, pelo contrário, parece confuso, mas eu tenho medo mesmo é de ficar curada; medo dessas minhas fases imunes, que sempre trazem junto ceticismo e frieza. Gosto muito mais de mim quando eu gosto de você e o teu amor ainda é o meu melhor remédio.

Bethania Davies

Foto: reprodução.

Plano Bê: novos planos

Любовь на высоте ~ By Мурад Закарьяев

Meu computador e meu quarto são tipo uma extensão do meu peito, bagunçados quase ou mais que a minha vida. Meu quarto é cheio de folhas das quais não consigo me desfazer. Meu caderno é cheio de textos começados que não sei como acabar e outros terminados que não sei onde encaixar. Minhas ideias são um tipo de cigano hippie: malucas, sem pátria, sem parada, hoje nesta estação, amanhã já não sei mais por onde andarão. As coisas paradas nunca me seduziram, não tenho medo de errar e me reconstruo todo dia só pelo prazer de fazer diferente, de mudar de opinião. E aí você me aparece tão certo e tão coerente. E eu, tão vida torta, já cogitei me recompor pra você, ser melhor pra você. Cogitei parar pra te olhar, ficar horas em silêncio na presença desse sorriso, no calor desse abraço. Eu, que não paro em lugar nenhum, quero morar num abraço teu. Quero casinha num lugar calmo com chaminé saindo fumaça em dia de frio, quero travesseiro com cheiro do teu cabelo, quero teus chinelos no meu tapete.  Eu sou vendaval e tua boca me cala, me acalma como fim de tempestade quando o sol aquece novamente a terra e o silêncio impera antes dos pássaros começarem a revoar novamente o céu. Eu não sei me desfazer de nada do que faz parte de mim e você me aparece assim tão leve e tão inteiro. Onde você leva as pessoas? No coração pressuponho. Já eu, que não sei deixar nada pra trás, levo tudo comigo. E assim vamos montando nosso quebra-cabeça e nos encaixando. Estamos mudando os planos de voo dos nossos corações para aterrissar em um mundo onde só cabemos nós dois. E as nossas diferenças já não importam agora, vamos tomar um café e ouvir estrelas até que as regras tolas deixem de existir. Eu não sei o que fiz de certo pra te merecer, mas obrigada por ter me escolhido!

Bethania Davies

Foto: reprodução.

Plano Bê: mulher invisível

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Talvez você nunca vá descobrir, mas ela é a pessoa perfeita para você. Sei que seu passatempo preferido é colecionar garotas, você e essa sua mania defeituosa de esconder o seu medo da solidão. Mas o passatempo dela é te esperar e, mesmo sem saber que você encarnou esta forma mesquinha de ser humano, ela está cada dia mais bonita esperando você chegar.  Não exatamente você, mas um cara qualquer que não a faça chorar, e por que não você? Quem sabe se você olhasse mais ao seu redor…

O coração dela sabe que o seu anda se cansando e que de vez em quando cogita sair desse lixo e poder acordar todos os dias com a mesma companhia.  A cada sábado à noite você procura por ela, você procura encontrar, em outras, coisas que só tem nela ou em alguém como ela. Volta pra casa com sete telefones novos na agenda e nenhuma expectativa, nenhum pingo de verdade, porque lá onde você procura não é o tipo de lugar que ela costuma frequentar. Ou que a mulher que você procura costuma frequentar.

Sabe quem é ela? É aquela menina discreta que passa por você todos os dias, e você tão orgulhoso não nota. Ela é aquela menina que senta ao seu lado no ônibus esperando que você use a meteorologia pra puxar conversa. Ela é aquela menina que mora na sua rua e você nunca perguntou o nome. Ela é aquela estranha que você esbarrou na rua semana passada. Ela é aquela que passa em frente a sua casa todos os dias para ir trabalhar. Sabe, ela gosta da mesma série que você e faz um chocolate quente delicioso para assisti-las. Ela também quer encontrar alguém pra dividir uma pizza, um ingresso, um café, uma vida. Ela é a menina que ao invés de estar com um decote gritante e uma maquiagem horrenda desfilando por aí, está lendo um livro no ponto do ônibus e imaginando se você vai demorar muito para chegar.

Ela é qualquer menina que você não vê. Qualquer menina com a qual você descarta qualquer possibilidade só porque ela não está usando um shorts curto, bêbada, fácil, fútil, perdida numa noite que é o tipo de mulher que anda frequentando sua vida ultimamente. E na verdade você não se aproxima dela porque tem medo de mulheres tipo ela. Mulheres essas que você não conquista com um combo de uísque importado, nem com seu carro ou seu rostinho bonito, vai precisar de muito mais.

Quer saber? É bom mesmo que você nunca a encontre, ela é doce demais, boa demais para você. Você poderia machucá-la e ela perder a fé no verdadeiro amor e isso seria um desastre. Vai lá, que o seu currículo de cafajestagem continue aumentando bem longe do coração dela, e o seu futuro eu já te digo agora: um dia você vai se cansar e se arrepender por não ter tido coragem de dar o primeiro passo. Ela? Ah… Ela vai continuar por ai, lendo os mesmos livros, vendo as mesmas séries, tomando o mesmo chocolate quente e esperando seu príncipe. Algum príncipe que terá a coragem que você não teve e olhos para enxergar o que você não viu.

Bethania Davies

Foto: reprodução.

Plano Bê: sim ou não

415b194ce2514fcb2116241e8217badbVem aqui diz que me escolheu e tira os meus pés do chão com um beijo. Ou diz logo que não sou nada e me deixa pra sempre. Vem e fica perto pelos próximos cem anos ou fala de uma vez que não quer ficar, que nunca quis. Diz se isso pode ser amor um dia ou se nunca vai ser mais do que uma bobagem da minha cabeça. Me pede em casamento pra eu fazer um charminho e dizer ‘vou pensar’ ou me diz de uma vez que sou louca por querer tanto algo impossível. Eu quero você, mas quero só o que for verdade. Eu quero o seu melhor ou então o seu pior. Me dê seus extremos porque eu não suporto meio termo, água morna, mais ou menos. Porque eu sou feita de muitas coisas, mas principalmente de tudo ou nada, e o mundo está me esperando lá fora enquanto você brinca de decidir. Enquanto eu me confundo nas suas incertezas esperando um norte meus dias se esgotam, pois meu tempo é curto.

Sabe, eu até gosto de você, mas gosto muito de mim também e preciso ir. Você vem comigo ou vai ficar? Porque eu não vou mais ensaiar nenhum vôo, agora eu vou mesmo. Se quiser vir comigo vou te mostrar que meu amor pode te fazer alcançar altos céus e de lá de cima agradecer por um dia ter me encontrado. Porque, acredite, você nunca vai encontrar ninguém igual a mim.  E aí, você vem comigo ou vai ficar? Porque não vou ficar esperando você resolver seus problemas pra me confundir ainda mais nesse emaranhado de incertezas, nem perdendo todas as minhas cartas nesse seu jogo. É sim ou não, agora ou nunca.  Me ame ou me liberte.

Bethania Davies

Foto: reprodução.

Plano Bê: não é uma declaração

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Tenho vontade de te escrever um milhão de poemas. De parar em frente à rua da sua casa e gritar que eu te amo. De sair escrevendo nos muros da cidade toda. Eu já não tenho mais medo. Eu já perdi a noção do certo e errado. E eu sempre faço tudo errado mesmo e já não sei mais o que fazer. Por que você fica entre um sorrisinho meigo e outro ‘eu também’, e às vezes some. Aí eu não sei se te espero ou te esqueço, se me desespero ou se desapareço. Depois você aparece com essa cara de “tcharam” como quem faz uns truques mágicos pra encantar uma criança e perco a pose quando você sorri. Mesmo que esteja furiosa, mesmo que esteja pra desistir, eu mudo todos os meus planos quando você chega.

Eu tenho vontade de te perguntar se você não gosta mesmo de mim, e se nós nunca vamos poder ficar juntos. Porque daí eu iria parar com essa loucura de querer você todo dia. Eu iria tentar não chorar quando ouço aquela musica. Não sei, eu não sei mais o que eu faço. Eu já te contei tudo, você já sabe meus medos e tece todos os seus truques com eles pra me deixar ainda mais boba. Então eu não me contenho mesmo e conto pra todo mundo, juro que não entendo como você não veio correndo pra mim quando soube. Deu errado não era esse meu plano. Meu plano não era você ficar por ai espalhando seu amor pra todo mundo e mostrando esse sorriso lindo e branco pra qualquer uma. Era pra mim que você tinha que vir. Eu te libertei pra você ser meu. Como o príncipe que beija a bela adormecida, é isso!

 Por mais egoísta que isso pode parecer, era pra mim que você deveria dar o sorriso mais bonito. Por acaso não sou eu o amor que seu coração diz querer? É pra mim que você tem que vir, meu amor, hoje ou daqui a mil anos. É pra mim. É por mim que você deve acordar todos os dias. Eu quero você aqui. Perdido entre as minhas confusões e se achando nas minhas confissões, se enxergando nos meus olhos e viciado no meu sorriso. Porque só por você é essa loucura toda.

Isso não é uma declaração, eu nem sei escrever declaração de amor. Ou é? Pode ser então. E tomara que tudo o que eu escrevi não entre pra sua gaveta de ‘coisas pra resolver depois’. Isso é um pedido, um segredo, um último grito de socorro, um alerta pro seu coração. Só dessa vez, me ouve, por favor.

Bethania Davies