Plano Bê: caí direitinho

2 (1)Escuta aqui! Você não pode chegar assim na vida de uma pessoa e ir fazendo o que está fazendo, não! Você me deixou pensar que eu tinha o controle. E fui te dando espaço até não ter mais o controle de nada.

Você me enganou e eu caí direitinho! Chegou com cara de quem nada queria, sorriso de criança quando abre caixa de presente e me tocou de mansinho como o vento perfumado que balança as árvores no mês de setembro. Baixei a guarda achando que você era inofensivo e agora olha eu aqui, escrevendo para você feito uma adolescente bem boba. Eu sempre pareço uma adolescente boba quando me apaixono. E, para não restar nenhuma dúvida, sim, eu estou apaixonada.

Foi diferente dessa vez. Não foi urgente como sempre são as coisas do amor na minha vida, foi tranquilo, foi terno e leve. O que há com você, hein? Tempestade e calmaria ao mesmo tempo, você tem o dom de fazer grandes coisas acontecerem sem que eu mesmo perceba. Foi entrando sem fazer muito alarde e pressentindo que vou querer te convidar para ficar para sempre, pois você jogou por terra todas as minhas teorias de que amor é algo complicado. Tudo é tão fácil com você, tão leve e tão natural que, ontem, quando percebi, estava tendo que me controlar para não te chamar de “amor”. Ainda estou.

Ah, meu Deus! Você faz ideia de quanto tempo faz que não tenho vontade de chamar alguém de “amor”?

Caí direitinho no labirinto de emoções que você trouxe. Eu não sei o que você está fazendo comigo, eu não sei nem o que eu estou fazendo comigo em relação a você. Só sei dizer que te conhecer foi como encontrar um lar. Eu disse “muito prazer”, mas minha alma sussurrava “quanta saudades eu senti”. Foi lindo!  Teu abraço é como voltar para casa, agora entendo por que sinto tanta paz dentro dele. Me sinto em casa ouvindo teu coração pulsar no mesmo ritmo do meu.

Você me enganou e eu caí direitinho. Caí em todas as armadilhas de amor possíveis. Logo eu, que sempre fui tão astuta. Caí de amores desde a primeira vez e todos os dias escolho cair de novo, levando isso adiante. Estou caindo de amores agora mesmo, te escrevendo e imaginando você lendo e sorrindo de canto de boca.

Caí na armadilha quando mandei a primeira mensagem “só para ver qual é a dele” e depois a segunda e depois a terceira e, quando percebi, já estava sorrindo feito boba olhando para a tela do celular falando com você quinze horas por dia. Caí na armadilha quando firmei meus olhos nos teus e vi o tempo parar ali, e eu, que sempre ganhei nos jogos de amor, naquele segundo, perdi.

Perdi quando desejei provar o beijo e depois descobri que nunca antes, um beijo foi tão verdadeiro. Nunca antes, um beijo conversou com minha alma como o teu beijo faz. Foi como se toda a minha vida eu tivesse vivido para aquele momento e só. Todo o passado e todo o futuro se encontraram quando olhei para você e você sorriu.

Quando encontrei você, eu encontrei o que eu estava procurando. A espera acabou, a busca acabou, a tempestade acabou, e o melhor de tudo é que a nossa vida está só começando!

Bethania Davies

Foto: reprodução.

Plano Bê: diário de você

diario

Se eu fosse completar um diário tenho certeza que no final de cada dia a frase “pensei em você” constaria nas 365 folhas dele. Não sei se mudaria alguma coisa, mas queria que você soubesse que os planos que fizemos pra nós ainda estão aqui, espalhados pelo chão e se colorindo sozinhos. Criaram vida própria e já não dependem mais de mim ou de você, e sim daquele sentimento que tivemos. Se um dia passar por aqui, verá que meu coração vândalo rabiscou seu nome em todas as paredes da minha vida. Que todos os amanheceres que meus olhos enxergaram têm um raio de esperança de te ver voltar. Eu sei que vou sempre ser aquela pessoa que passou na sua vida e te fez ver o mundo diferente. Porque você me liga no meu aniversário? Não se esqueceu de nada eu sei. De tudo ainda restou nossa cumplicidade. Minta e diga que não se quiser, mas eu sei que ainda lembra e que tem vontade de voltar.  Seria como ver fogos de artifício na noite de ano novo, quando nos emocionamos diante da promessa de uma vida que se renova. Seria como acordar de um pesadelo e perceber que você sempre esteve aqui, que nunca cortou o fio misterioso que nos faz pertencer um ao outro. Eu sempre vou me lembrar de você. De como você fazia bem ao meu coração e mantinha meus sorrisos radiantes. Das manhãs em outros lençóis quando, do nada, viajávamos pra longe sem data pra voltar. Dos seus costumes e de como você falava “massa” ao invés de “macarrão”. Da nossa sincronia e de tudo que você me ensinou. Que amor não é preciso uma fórmula pra dar certo. Pois, mais errados do que nós dois éramos um para o outro, só um casal formado por um peixe e um camelo. E mesmo assim amamos. Amamos muito e lindamente. Sorrimos tudo que a vida nos permitiu e sambamos na cara de quem dizia que não combinávamos. Se eu fosse fazer um livro sobre minhas histórias de amor, a sua termina do mesmo jeito que todas elas, a distância tem sido a grande vilã dos meus contos de fadas. Mas com certeza a sua na minha vida não seria escrita em texto. Mas em quadrinhos da forma mais colorida e linda que uma história pode ser contada. Porque é isso que você representa: cor, sabor, risos leves e todas aquelas nossas coisas que ninguém nunca vai saber. Nosso segredo. Apesar do fim necessário fomos muito felizes e se eu tivesse a oportunidade de te olhar mais uma vez, com certeza te diria que valeu a pena cada segundo. Aliás, sobre coisas que valem a pena, você é única a referência na minha vida. Sobre amor desmedido e alegria frouxa também. É seu nome que me vêm na cabeça quando alguém me pergunta sobre ser feliz. Seu nome, um apartamento e nosso cachorro que ficou comigo. O resto é tudo coadjuvante daquela nossa história. Amor é o princípio e nós tivemos isso, não tem como negar. Nossas coisas ainda estão em algum lugar no tempo, nossos planos e sorrisos, nós ainda estamos lá e isso ninguém vai nos tirar.

Bethania Davies

Foto: reprodução

Solidão em paz

solidão em paz

A solidão em paz é a melhor coisa que pode acontecer a um coração. Só você e mais ninguém. Ninguém no mundo que poderia te ligar e arrancar um suspiro desse peito ou um sorriso bobinho dessa boca. Nenhuma entrelinha de mensagem de texto para interpretar ou te fazer ficar horas tentando decifrar. Nenhum silêncio gritando nenhum nome. Nenhuma palavra solta no ar. Nenhum fim para temer e nenhum começo para te prender. Nenhum telefone anunciando um dia inteiro de espera frustrada. Nada pra esperar. Só você por você mesmo. Não há nada de errado com a solidão, vocês podem ser melhores amigas se aprenderem a respeitar os espaços uma da outra. Na verdade no final você até simpatiza com ela. Acordar todos os dias pra você mesmo pode ser uma das melhores escolhas da sua vida se você se convencer de que a paz que procura ninguém pode te dar, exceto você mesmo. Se você souber que nem todo mundo que está acompanhado é feliz. Na verdade existe mais solidão a dois do que gente querendo ganhar na sena. A propósito sempre ouvi dizer que o amor é uma loteria. Nunca entendi direito, pois se considerarmos a quantidade de quem ganha lá e aqui, vamos ver que o amor é bem mais fácil. E depois o amor não é um jogo, ele é a mesa, a base, o centro, ele sempre esteve lá. Somos nós, na nossa concepção de seres desenvolvidos que começamos a mudar tudo de lugar e fizemos essa bagunça. Temos medo da solidão quando devíamos agradecê-la por existir. É ela quem dispensa todas as forças pra te dar um pouco de paz entre uma loucura e outra que você comete. Porque a gente sempre promete, mas nunca consegue ficar muito tempo sem se meter em encrenca. Se você tem medo da solidão é sinal que não é um bom administrador de sentimentos. Pois, a solidão sadia é tipo arrumar seu quarto bagunçado. Você entra, fecha a porta e começa a faxina. Quando ele está pronto, você fica tão orgulhoso do bom trabalho que fez que não quer deixar ninguém entrar por um bom tempo. Fica ali curtindo aquela paz. Aquele lugar que antes era só turbulência agora está limpo e reconstruído, e isso é mérito seu. Aproveite.

Bethania Davies

Foto: reprodução.