Plano Bê: permita-se!

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Ouvi um podcast esta semana que dizia que quando uma criança nasce, a primeira coisa que ela se dá conta é da mãe. Conforme crescemos, nossa percepção do mundo aumenta e mais pessoas vão se agregando à nossa vida: tios, padrinhos, amigos, professores. O círculo só aumenta e nós sabemos quase tudo sobre os outros. Os outros, sempre os outros.

De dentro pra fora é tão fácil opinar, palpitar, observar. Já tentou olhar para dentro? Olhar para você? Tomar consciência, observar nossa vida e atitudes é muito difícil quando somos o personagem principal dessa história, na verdade algumas pessoas passam a vida inteira sem se olhar de fato. Olhando para os outros, amando os outros e achando soluções para a vida e erros dos outros, enquanto seu próprio eu está lá jogado num canto.

Se fizer uma lista das pessoas que você mais ama, de quem é o primeiro nome? Sua mãe? Seu filho(a)? A dica de uma amiga muito querida e que eu faço questão de repassar, é: coloque-se no topo desta lista. Seja o número um da sua própria lista.  Se ame em primeiro lugar e você não precisará ter a difícil tarefa de escolher quem fica em segundo ou terceiro lugar. Quando você se ama primeiro, traz todos que ama com você. É maravilhoso.

Olhe para você, pergunte-se como tem passado. Quais certezas você tem? No que você é bom? Seus amigos acreditam em você e por que você não? Você é só uma criança descobrindo a vida, insegura e amedrontada pelo tamanho do mundo, mas olhe para você de dentro para fora. Você é incrível! Você tem muita coisa pra conquistar só precisa se permitir.

Eu sei que você quer, mas querer é diferente de se permitir. Permita-se ser tudo que você tem capacidade para ser. Se reconheça. Se olhe no espelho através de tudo que existe no plano físico. Se olhe no espelho até que só reste aquele minuto no tempo e diga para você mesmo: “você tem a minha permissão para brilhar”. Falar sozinho é coisa de louco mesmo, mas não se preocupe, a sanidade é só ilusão de gente que nunca vai saber o que veio fazer aqui, e na verdade só sendo louco para ter coragem de se exercer em plenitude.

Isso aqui não é autoajuda brega.  É só uma coleção de notas pessoais de uma alma que está tentando se amar acima de tudo e encontrar um sentido para ser tudo que quer ser (eu), para uma alma que tem potencial para ser tudo que quer e ainda não se deu conta disso (você).

Olhe para você e se veja como eu estou vendo agora. Uma luz ardente e capaz. A minha luz reconhece e reverencia a sua. Namastê.

Bethania Davies

Plano Bê: eu não quero um amor qualquer

sorriso-de-mulher“E aí, já casou?”

Certamente você já foi alvo de tal pergunta.  Você passa um ano sem ver e nem falar com a pessoa, ela te encontra e pergunta se você já se casou. É o momento em que você desiste de achar que as coisas evoluem. Algumas pessoas nunca evoluirão e podem te encontrar ano após ano, você se forma na faculdade, você sai da casa dos seus pais, entra no mestrado, abre sua própria empresa, faz coisas grandiosas e a pessoa continua na mesma pergunta. É como se ela achasse que você precisa se casar para que seja uma pessoa completa.

Amigo, amiga, completa eu já sou! Quando se precisa de alguém para se sentir inteiro é porque nem metade você é. É porque te falta muito. Te falta tudo. Não é como se eu tivesse perdido um pedaço de mim e precisasse encontrar para ser inteira outra vez, eu sou inteira, só quero alguém para me transbordar. Quando amor é uma urgência, você aceita qualquer migalha e é por isso que não quero um amor qualquer.

Tem que acrescentar. Somar coisas boas à minha vida. Não quero só um pé para esquentar o meu no inverno. Tem que ter coerência, tem que me fazer bem, tem que ser parceiro para os embalos de um sábado à noite e para programa de índio de domingo à tarde. Sem cobrança, sem stress. É como dizem por aí, se for para brigar eu brigo com a minha mãe. Amor é para fazer sorrir e é por isso que eu não quero um amor qualquer.

E tem aquelas amigas que sempre te olham com cara de pena quando você vai a um jantar, onde a maioria são casais, sozinha. Amigos entendam: eu não tenho medo de chegar sozinha. Prefiro muito mais chegar sozinha carregando meu bom humor, do que como muita gente que chega acompanhado e passa a noite de cara amarrada. Já fiz o mesmo, já sustentei relacionamento por aparência, já aceitei mesquinhez. Hoje sei o que quero e não aceito, de forma alguma, menos do que eu mereço receber. É por isso que eu não me contento com um amor qualquer.

É claro que quero ter alguém, mas não é assim. Não tenho pressa. Vai chegar. Quero paz, quero risos, quero sincronia de almas, quero tudo que li nos livros sobre amor. Porque o mundo anda muito padronizado, muito cheio de céticos de mesa de bar que esqueceram que a maior força à disposição do ser humano nesta terra é o amor e eu acredito nele. Pode me chamar de louca por isso, mas eu não sou mesmo uma mulher comum. Não sou uma mulher qualquer. É por isso que eu não quero, não aceito, não admito um amor qualquer.

Bethania Davies

Plano Bê: sou mulher demais para você

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Se tem a intenção de me prender, desista. Se quer mudar algo em mim, nem venha. Você não entende quem sou nem sabe jogar meu jogo. Você não vai conseguir acompanhar minha vida intensa e meu raciocínio meio louco.

Só saiba que, de mim, você nunca vai ter uma resposta branda, não sei ser mais ou menos. Meu jeito confunde gente que vive em cima do muro. Comigo é oito ou oitenta. Meu gênio é forte demais para sua simpatia por gente de opiniões suscetíveis. Sou informação demais para seu entendimento tão conservador.

Eu não vou te dizer o que eu quero.  Se você não for bom o suficiente para saber como funciona um relacionamento maduro então eu sou mulher demais para você. Eu sou mulher demais para criança mimada que precisa de alguém o tempo todo dizendo o que se deve fazer. Não sou sua mãe.

Eu achei que precisava me esforçar para te merecer, eu quis ser alguém que você precisasse por perto, que você quisesse por perto. O frio na barriga e as mãos geladas eram impossíveis de controlar quando você chegava, mas com o tempo eu percebi que eu era muito, que quem devia se esforçar era você. Sou mulher demais para viver de migalhas.

Minha mãe não me educou para ser sujeita às variações de humor e as vontades de homem nenhum. Sou mulher demais para criança que tem medo de me assumir porque não quer perder as mulheres de menos que está acostumado a encontrar por aí. Sou mulher demais para aceitar uma desculpa lavada sobre a bateria do celular ou a falta de tempo.

Sou mulher demais para ficar e insistir em uma pessoa que não vale nem o livro que eu li no verão passado e embora eu tenha que admitir que ainda penso em você, você nunca vai saber, porque eu sou mulher demais para aceitar ser tratada e comparada com uma mulher de menos.

Bethania Davies

Plano Bê: te encontrar salvou a minha vida

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Você nem imagina como é bom ler na barra de notificações do celular o seu nome. É algo parecido com a vontade de sorrir que a gente sente quando começam a queimar os fogos na virada de ano. É como se o meu peito fosse pequeno para o tamanho que meu coração fica quando se enche da alegria que só você me traz.

Eu procurei por muito tempo sem saber que era você. Um belo dia o destino me escolheu e tudo fez sentido. É claro que é amor, o que mais poderia ser?

Perdi a conta de quantas noites eu dormi agradecendo por te ter aqui. De quantos dias eu me peguei te amando nos detalhes mais bobos como seu cuidado com a gola da minha blusa, o jeito como você aperta os olhos ao espirrar, e como seus olhos, de menino levado, me leem quando não quero falar.

Eu nunca reparei nos olhos de ninguém, mas que brilho é esse que você tem? Me faz querer gastar meus dias pra te dar o melhor que há em mim. Eu  não sabia que esse tal de amor era assim.

Você salvou minha vida de aparências superficiais de uma felicidade inventada. Você preencheu meu coração com o amor mais lindo quando eu achei que não merecia nada.

Você trouxe alegria aos dias cinzentos e, quando eu achava nada mais fazia sentido, ganhei um presente do universo e encontrei contigo.

Bethania Davies

Foto: reprodução.

Plano Bê: o que é mais forte que o amor?

cadeados editadaEsta semana conheci um ex-atleta. Muitas histórias. Canoagem. Medalhas. Seleção Brasileira. Quinto melhor do Brasil em sua modalidade no ano de 2010.

Hoje, seis anos depois, quem olha para aquela pessoa não vê mais do que um homem normal. Pai, esposo, trabalhador, dois salários mínimos por mês e sempre à espera do décimo terceiro para renovar a pintura da casa, construir um quarto para o bebê que vai chegar, reformar a garagem, etc… Só mais um brasileiro entre tantos que vivem no modo automático por aí, ignorando seus sonhos.

Ele podia ter tudo, aliás, ele teve tudo. Teve seu sonho nas mãos, mas desistiu por causa do amor de uma mulher.

Aí eu me pergunto: que tipo de amor é esse que suprime? Que subtrai ao invés de somar? E que tipo de sonhador era ele que desistiu tão fácil?

Ninguém se lembra de quem desiste. Ninguém sabe que ele esteve entre os melhores do País. Ninguém que nunca tenha parado para ouvi-lo por mais de meia hora. Ninguém que nunca tenha reparado no brilho nos seus olhos ao falar do sonho.

Não sei se foi minha veia jornalística, mas resolvi parar e descobrir quais histórias ele tinha para contar.

Depois de ouvir, caiu minha ficha de que não há força no mundo capaz de conter um sonho para sempre. Dos seus olhos escapavam faíscas, há muito tempo contidas, de entusiasmo e orgulho ao falar de si. Ele irradiava alegria a cada nova lembrança.

Um sonho é mais forte do que qualquer amor “meia-boca”. Aquele tipo de amor, que o fez desistir, não foi suficiente para preencher o vazio de tamanha renúncia, e nunca será, pois amor de verdade encoraja, dá asas, não prende. Aquele amor não pôde ofuscar o sonho, pois o dele ainda estava lá. E sempre vai estar. Porque sonho sonhado uma vez, é como uma brasa que arde para sempre e água nenhuma pode apagar.

Grave isso: seu sonho nunca vai te deixar. Mesmo que você fuja dele hoje, amanhã ele voltará, e depois, e depois e depois… Diz o ditado “quem já foi Rei, nunca perde a majestade” e eu digo que quem nasce sonhador, nunca perde suas asas.

Depois de concluir isto, só me resta corrigir, então: esta semana conheci um atleta!

Bethania Davies

Foto: reprodução.

Plano Bê: já ouviu seu coração hoje?

4Vai parecer um texto de autoajuda, mas me peguei agradecendo por tanta coisa ultimamente e precisei escrever para justificar meu dom, tentando fazer as pessoas que me leem enxergarem o quanto somos incríveis.

Você é incrível. Aproveite todos os dias para agradecer e curtir sua passagem por esta vida.

Osho diz que não existe ninguém como você. Nunca existiu sobre esta terra, nem nunca existirá alguém como você.

Você é a única versão de você neste mundo, uma obra de arte, incomparável e absolutamente irrepetível. Pense bem no tamanho do respeito que a vida tem por você!

Agradeça por isso.

Uma pergunta: se você ganhasse 100 milhões na loteria hoje, no momento em que ficasse sabendo do prêmio como iria comemorar? Você iria sair gritando, pulando abraçando e gargalhando a risada mais gostosa? Com certeza faria uma comemoração à altura de tamanha fortuna.

Agora, conte-me com que disposição você acorda todos os dias, sabendo que seu maior tesouro dorme do seu lado ou no quarto vizinho? Quanto de dinheiro é preciso investir para comprar as conversas e brincadeiras ao redor da mesa do café em um domingo de manhã com sua família?  Deus já te deu tudo o que você precisa para levar uma vida de rei ou rainha.

Seja grato por isso.

O bom – e o bonito – da vida é que ela não está só nos grandes tesouros, como nossa família, mas também nos mínimos detalhes.

Quer ver?

Pare, fique em silêncio, tranque sua respiração por 10 segundos e preste atenção no seu corpo. Está ouvindo? Ou melhor: está sentindo o ânimo com que seu coração bate no seu peito? Quanta força ele manifesta a cada batida.

Agora tente imaginar por quantas horas uma máquina (qualquer máquina inventada pelo homem) pode funcionar, sem parar, até dar o primeiro defeito.

Imagine que seu coração está batendo desde que você tinha cinco semanas de vida. Quantos anos você tem?

Por hoje é só… Amanhã volte a ler e agradeça de novo.

Bethania Davies

Foto: reprodução.

Plano Bê: tô escrevendo um livro para você!

1019_hm_cogApesar de seu coração estar mais forte e menos bobo agora, ela não podia se enganar: esperava a semana toda por aquele momento mágico em que o telefone começava a tocar e podia ler, na tela acesa, o nome dele. Era ele! De novo! Não tinha mudado de ideia nem se encantado por uma garota qualquer e esquecido tudo o que prometera na semana passada.

Sim, porque se existia uma pessoa inconstante no mundo, essa pessoa era ele. Mudava de planos como quem mudava de roupas e, a cada novo plano que passava por aquela cabeça, ele ligava entusiasmado para contar, como se sua vida dependesse daquilo. E acreditava convictamente até a próxima aventura, até o próximo plano surgir excitando-o em um novo caminho.

Mas ela ficava feliz que sobre ela, ele ainda não havia mudado de planos. Há dez semanas o plano continuava o mesmo a respeito dos dois e ela podia sentir-se feliz, pois estava salva por mais uma semana, até o telefone tocar de novo (ou não) na semana que vem. Mas naquele momento o telefone tocando deixava claro que durante os últimos sete dias ele tinha, novamente, escolhido ela.

Respirava fundo para não deixar transparecer nenhum vestígio de nervosismo. Mal sabia ele que do lado de cá o sorriso era largo ao soar a palavra:

– Alô!

– E aí minha linda? – ela ouviu o sotaque sulista do outro lado da linha.

– Tudo bem?  – perguntou ela – E seu coração se enchia de luz como quando se acende uma lâmpada num quarto escuro e frio, iluminando e aquecendo tudo, num dia de um inverno qualquer.

– Tudo, mas por que demorou pra atender ao telefone, hein? Não sabe que quando eu ligo tem que atender correndo? – disse ele segurando o riso e fingindo uma voz irritada que a fazia, do lado de cá, imaginar aquela ruga linda se juntando no meio da testa de quando ele se fazia de bravo. – Quais as novidades? – perguntou.

– Tô escrevendo um livro para você! – ela disse entusiasmada e ele sorriu.

– Tá bom! Acredito. – respondeu em tom de desconfiança. Apesar de ter convivido tanto tempo com ela no passado, ele ainda não acreditava na sua propensão para as coisas poéticas. Mas tanto faz, ela já não queria provar nada para ele. Só escrevia porque ele lhe inspirava coisas bonitas e ela acreditava que inspiração não se deve desperdiçar.

Ele era engraçado e, às vezes, o fato de falar como se alguns telefonemas fossem algo sólido, como se estivessem de novo juntos, a deixava assustada. Como se ligações telefônicas em sextas-feiras à noite fossem a prova de amor que ela precisava.  Falava com ela como se nada tivesse mudado.

Ela sabia que devia se conter. Que não queria ser a figurinha repetida de alguém que se arrependeu e só voltou por medo de ficar sozinho. E que ele só fazia aquilo de “passar de vez em quando” porque tinha medo de que ela arrumasse alguém agora que ele tinha descoberto a mulher incrível que ela era.

Ela achava graça quando ele falava ignorando completamente os três anos e quatro mil quilômetros que os separavam naquele momento.  Ignorando que a juventude tinha passado e tinham perdido tempo e mudado. Fazendo de conta que a maturidade faria dar certo desta vez.

Mas ela sabia que não é tão fácil assim e ele fingia não saber. Ele até gostava dela, mas a vida é complicada. Ela até que gostava dele, mas ele era complicado.

Bethania Davies

Foto: reprodução.

Plano Bê: ele acha que sou louca

tumblr_mj3ivnZexm1rwrg12o1_1280Ele quis me conhecer, me convidou para um café, depois para um jantar, depois para ficar. Ele se encantou. Gostou de todas as sensações boas que eu proporcionei para os seus dias com esse meu “jeito meio sei lá”, é o que ele diria.

Ele não sabe explicar porque gosta. E nunca saberá. Ele é simplista demais para notar que eu estava lhe fazendo bem porque desestabilizava sua rotina tão regrada com meu jeito alegre de levar a vida. Porque só eu lhe arrancava sorrisos nas horas mais imprevisíveis. Aquele sorriso lindo que ele insistia em esconder por timidez.

Ele não notava que eu lhe fazia bem nas pequenas coisas, ele gostava de se sentir cuidado e ninguém cuidava dele mais do que eu. Só eu lhe ajeitava a gola da camisa antes de sair e fazia o chocolate com leite gelado, sempre com espuminha, do jeito que ele gostava.

Não notava que adorava minha mania de tentar decifrar os mistérios daqueles olhos escuros, tão reservados com medo de tudo e de todos. E que adorava o contraste das suas palavras, calmas e intermitentes, com a minha voz alegre e imponente, quando eu chegava.

Ele era reservado demais para colocar em palavras que eu tinha transformado sua vida, antes estagnada, em uma roda gigante de sensações gostosas com essa minha coragem de me jogar de cabeça em tudo que me faz bem. E isso foi que o deixou encantado. Mas ele não sabia explicar porque gostava de mim.

Ele jamais experimentou tanta alegria antes, como a que eu lhe dava, tanta liberdade como a que eu lhe dava e tanto amor como o que eu lhe dei. Desconhecia tudo em relação ao amor e, por isso, tinha medo dele.  Era tímido, reservado demais para dizer o que se passava naquela cabeça e naquele coração.

Ele ainda gosta de tudo que eu lhe fiz sentir, mas tem medo ao mesmo tempo. É que amor é uma aposta cega onde só é possível ganhar, se, antes, perder toda a razão e se entregar sem medo e ele, de natureza estrategista, tem medo do incerto.

Eu me joguei, mas ele não pulou comigo. E, embora esteja morrendo de saudades, prefere ficar me cuidando de longe e questionando minha sanidade por ter voltado a confiar no amor. Ele se pergunta, todos os dias, como eu pude voltar a ser tão feliz depois do nosso fim.

Ele não sabe porque gosta de mim, mas é justamente por isso. Pela minha coragem em dar a cara para bater e o coração a prêmio com um sorriso no rosto. Por não desistir nunca do amor.

Ele nunca vai saber porque gosta de mim porque não se deu a chance de tentar entender.

Ele acha loucura amar desse jeito e eu acho que só vale a pena amar desse jeito.

Bethania Davies

Foto: reprodução.

Plano Bê: vigésima terceira “última carta”

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Eu sei que já faz muito tempo e que todas as palavras, sobre nosso fim, já foram ditas. Sei também que, finalmente, já não dói mais para nenhum de nós dois. Mas tive que mexer neste baú interminável de frações de tempo onde nossa história está guardada porque um detalhe me chamou a atenção.

Estou vendo você repetir nossa história com ela. Você tem que entender que é estranho, senão hilário, para mim ver que você a levou nos lugares que a gente foi, em cada lugar, um por um, cidade por cidade. Não sei explicar qual foi a sensação que tive. Talvez saber que você ainda me considera o suficiente para lembrar, ou que não considera o bastante para se importar de levá-la nos lugares que me levou.

Isso mexeu comigo. Não sei como me comportar e não há como ficar alheia, pois até suas fotos parece que são iguais e nos mesmos lugares. Com isso muitas outras dúvidas vieram. Será que você muda a voz e fala daquele jeito dengoso, como falava comigo, com ela também? Será que faz as mesmas brincadeiras? Como será que é a vida de vocês? Por que você está fazendo ela parecer com a nossa antiga vida?

Eu achei que o que foi nosso seria só nosso para sempre. Que você, assim como eu fiz, deixaria tudo intacto em algum lugar do tempo, pois mesmo que não seja uma realidade do presente, um dia foi real e foi bom e o que é bom a gente guarda com carinho para ninguém estragar.

Sei que estou me traindo friamente agora. Não sei o que estou escrevendo, nem falando, nem pensado. Mas eu queria que você não me esquecesse de vez, que de vez enquanto – nem precisa ser uma vez por mês, pode ser semestral – que você lembrasse de mim, das coisas que foram nossas e não deixasse ninguém tocá-las. Que elas fossem só nossas, porque afinal, mesmo que hoje nossos corações pertençam à outras pessoas, um dia eu amei muito você.

Me desculpe. Eu sei que não posso ser tão egoísta. Ela é linda, você é um bom homem e eu nunca poderia te fazer feliz. Espero que ela realmente esteja fazendo muito por você. Te fazendo feliz. Feliz o quanto eu não conseguiria, jamais, fazer.

Me convenci de que se eu não podia ser a pessoa que você precisava, alguém poderia fazer melhor. E ela está fazendo um ótimo trabalho, sei que você está em boas mãos. Seja feliz, ela é boa nisso e você nem vai sentir minha falta.

Do meu jeito louco eu acho que gosto de você, ou pelo menos respeito você e, para mim, o que foi nosso ainda é nosso porque não há como apagar alguém da sua história. Não há como anular três anos de uma vida, fingir que não existiram.

Só queria que você soubesse que você é minha história, e nem que quisesse eu te apagaria. Saiba que quero que você seja feliz, muito feliz.

Já escrevi vinte e duas cartas que nunca enviei. E não tenho certeza sobre quantas mais ainda vou escrever prometendo ser a última. Mas, para não perder o costume, vou prometer de novo que, agora sim, esta é a última carta – das muitas que você nunca receberá – que escrevo para você.

Bethania Davies

Foto: reprodução.