Solidão em paz

solidão em paz

A solidão em paz é a melhor coisa que pode acontecer a um coração. Só você e mais ninguém. Ninguém no mundo que poderia te ligar e arrancar um suspiro desse peito ou um sorriso bobinho dessa boca. Nenhuma entrelinha de mensagem de texto para interpretar ou te fazer ficar horas tentando decifrar. Nenhum silêncio gritando nenhum nome. Nenhuma palavra solta no ar. Nenhum fim para temer e nenhum começo para te prender. Nenhum telefone anunciando um dia inteiro de espera frustrada. Nada pra esperar. Só você por você mesmo. Não há nada de errado com a solidão, vocês podem ser melhores amigas se aprenderem a respeitar os espaços uma da outra. Na verdade no final você até simpatiza com ela. Acordar todos os dias pra você mesmo pode ser uma das melhores escolhas da sua vida se você se convencer de que a paz que procura ninguém pode te dar, exceto você mesmo. Se você souber que nem todo mundo que está acompanhado é feliz. Na verdade existe mais solidão a dois do que gente querendo ganhar na sena. A propósito sempre ouvi dizer que o amor é uma loteria. Nunca entendi direito, pois se considerarmos a quantidade de quem ganha lá e aqui, vamos ver que o amor é bem mais fácil. E depois o amor não é um jogo, ele é a mesa, a base, o centro, ele sempre esteve lá. Somos nós, na nossa concepção de seres desenvolvidos que começamos a mudar tudo de lugar e fizemos essa bagunça. Temos medo da solidão quando devíamos agradecê-la por existir. É ela quem dispensa todas as forças pra te dar um pouco de paz entre uma loucura e outra que você comete. Porque a gente sempre promete, mas nunca consegue ficar muito tempo sem se meter em encrenca. Se você tem medo da solidão é sinal que não é um bom administrador de sentimentos. Pois, a solidão sadia é tipo arrumar seu quarto bagunçado. Você entra, fecha a porta e começa a faxina. Quando ele está pronto, você fica tão orgulhoso do bom trabalho que fez que não quer deixar ninguém entrar por um bom tempo. Fica ali curtindo aquela paz. Aquele lugar que antes era só turbulência agora está limpo e reconstruído, e isso é mérito seu. Aproveite.

Bethania Davies

Foto: reprodução.

Plano Bê: namorando

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Eu tive um namoradinho aos 16 anos, durou apenas o mês de junho, eu era ingênua e queria mostrar pra sociedade que eu tinha uma pessoa que merecia o título de namorado. Assim, o que já havia começado errado, só fez piorar e só seguramos as pontas até passar o dia 12. Não sei por que a gente tem essa hipócrita necessidade de mostrar ao mundo que pertencemos a alguém. Essa história acabou antes de pronunciarmos a palavra amor um para o outro.

Depois eu tive uma pessoa com quem passei quatro “Dia dos Namorados”, e eu fui boba cedendo ao ciúme doentio e aceitando brigas desleais demais para duas pessoas que se diziam maduros. Com tudo isso, fomos felizes e amamos, até o dia em que finalmente acordei e a razão prevaleceu. Resolvi que não me faria feliz desistir do que sou e mudar meus conceitos em nome de uma palavra só: amor. Tive medo do mundo sem ele do lado, meu namorado protetor, mas minha mãe sempre me ensinou a ser autossuficiente. Respirei fundo como quem precisasse não apenas ar pra aquela decisão, mas coragem; me olhei no espelho para ter certeza de quem eu era e saí desse namoro em paz, torcendo para que o amor e eu pudéssemos nos encontrar mais tarde, quem sabe, em outra estrada.

O último dia 12 de junho eu passei com alguém que me fez muito feliz e que me ensinou o sentido da palavra desapego, descobri que alguns relacionamentos começam e acabam simples assim. Aprendi que no mundo há milhões de pessoas indo para todo lugar, e que as vezes seu caminho se cruza com alguém por um tempo pra que os dois aprendam algo, e depois em uma encruzilhada qualquer, chega a hora em que eles se separam e cada um segue sua vida. O desapego e o amor deveriam andar sempre juntos, porque você ama, mas não sente necessidade de ter propriedade sobre a pessoa, assim, no final só ficam as coisas boas. Foi a coisa mais bonita que ele me ensinou e somos amigos até hoje. Mas o amor, ah o amor! Continuei sem sabê-lo.

Como as três histórias fazem sentido? Acontece que hoje é Dia dos Namorados e depois de tudo aquilo, eu encontrei o amor. Um amor que eleva e me faz crescer, amor que transborda e colore a minha vida com alegrias desmedidas. Amor que me deixa livre para que eu me exerça inteira. Amor que todos os dias me mostra tudo que tenho de bonito e errado e, no final, diz que me aceita assim, que me ama assim do jeitinho que sou, com minhas frases desconexas, minha mania de roer unhas e minha coleção de livros cheirando à poeira velha. Amor que liberta com os olhos e abraça com o coração.

Um amor como nunca meus olhos imaginariam ver, mas agora faço questão de vê-lo todos os dias no meu espelho. Acontece que todo esse tempo eu procurava o amor fora. Mas agora o encontrei onde ninguém mais conseguiu perceber. Aqui. Em mim. Porque só quando estiver transbordando de amor próprio é que uma pessoa está pronta para o amor de outrem. Ninguém merece carregar a responsabilidade de nos preencher. E meus dias dos namorados se tornaram bem melhor depois que aprendi isso. Porque dia dos namorados não é só para casais.

Feliz Dia dos Namorados a todos os que descobriram o mesmo amor que eu!

Bethania Davies

Foto: reprodução.

Plano Bê: liberdade

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Sempre me vi como uma menina desastrada e de um tempo pra cá me vejo tão mulher. Não que eu tenha deixado de ser desastrada, mas não sei, é tão estranho. Não vi em que momento aconteceu essa transição, ou se ela ainda está acontecendo. Acho que meus flertes com a vida evoluíram pra um lance mais sério. O fato é que ouvi falar e estou esperando pela famosa crise dos 20 e poucos. Não sei quando ela chega ou se chega, na verdade acho que ela só perturba quem parou. Quem não está no caminho. Ela deve ter a mesma função de um infarto de miocárdio: se você nunca alimentou bem o seu sonho, pode te matar, vai ser difícil sair vivo dela – eu falo de vida de verdade – mas na maioria das vezes é um aviso de que ninguém é eterno. Pra você lembrar-se de voltar pra terminar o sonho que começou ou começar de uma vez o que está adiando há tanto tempo.

Em fim, então quer dizer que agora sou adulta é?! O ruim disso é que você pensa muito mais sobre sua vida e aonde quer chegar. E se a pessoa for tipo eu, ansiosa e sonhadora, ela tem urgência de tudo, viver é agora, ser feliz é agora, tudo é agora. E com isso acabo parecendo uma devoradora de momentos, todo o tempo vivendo intensamente, parando no meio da rua pra sentir o vento e sorrir para o universo, e dizendo para meus amigos o quanto sou feliz por tê-los. É até engraçado.

O bom é que você abre sua cabeça pra receber o mundo, para receber novos conceitos, novas experiências. Seu juízo se amplia e você – graças a Deus – cria suas próprias convicções e opiniões sobre as coisas, e deixa as da sua mãe. Consequentemente você vai ficando mais teimoso naquilo que acredita e mais seletivo, principalmente se leu bons livros.

O bom – acredito que o melhor de tudo – é que você para de tentar se parecer com todo mundo pra ser aceito, se aceita do seu jeito, faz do seu jeito e descobre que também é legal. Você acaba sendo amado por aquilo que tinha tanto medo de mostrar: você mesmo.  E assim, você tem coragem de colocar Gun’s  e Tião Carreiro na mesma playlist e curtir do começo ao fim enquanto te consideram doido, mas não deixam de te amar por isso. Se souber escolher bons amigos tudo acabará em risos, aliás, sua vida terá o dobro de sorrisos.

O bom é que você consegue saber exatamente o que gosta de fazer e se isso merece sua energia e seu tempo e o que deve deixar pra trás porque nunca vai dar em nada. E deixa pra trás sem culpa, mesmo enquanto as pessoas enlouquecem ao seu redor e dão opiniões que você não pediu sem ao menos saber seus motivos, e não adianta explicar, eles nunca entenderiam.

Você fica menos egoísta, ou não. Não sei, essa é uma questão que ainda preciso resolver, porque quando se trata de gente que quer destruir meus sonhos e me enlouquecer eu sou bem egoísta. É meu mecanismo de defesa.

O bom, é que agora quando o coração dói você já sabe que não vai morrer. Que ninguém morre de amor, pois, tudo passa. A propósito, depois dos 20 anos, tudo anda passando rápido demais, preciso terminar o texto pra viver esse dia. Muito amor pra você.

Bethania Davies

Foto: reprodução.