Plano Bê: outra história sobre fim

8536426163_761bf95a82_oEsta é uma história sobre fins. Ou serão começos? Ainda não decidi, mas o que tenho certeza é que coisas precisam acabar para outras começarem. Um fim precede um começo. A lei vale para todos os fins e este é, sim, um texto sobre mim. Afinal, o texto é meu e de que outra coisa eu poderia falar se não do que sinto?

Tão transitória e instável é a nossa vida e ainda assim vivemos. Tão rápida e ainda assim construímos, começamos coisas mesmo com a certeza de que elas terminam. E esta talvez seja aúnica certeza que temos: as coisas terminam.  O café termina, a bateria termina, o inverno termina, o ano termina, amores terminam, amizades terminam, a vida termina.

Você faz outros planos as pessoas também e a vida se encarrega de cumprir seu curso natural que é levar cada um para o seu caminho. Você sente muito, eu sei, mas acha, por alguma razão, que desta vez vai ser diferente, só que não vai. Foi assim quando deixou os amigos da sexta série. Foi assim quando deixou os amigos do terceiro ano. Será assim quando a faculdade acabar.

Prometemos não nos afastar. Prometemos ligar. Prometemos estar presente. Fazemos votos de saúde e sucesso. E as promessas falham. Combinamos de marcar encontros semanais, que depois se transformam em mensais, que se transformam em anuais e que depois deixam de existir.

Fins doem, mas a coisa mais bonita de ser humana e colecionadora de fins é a esperança. Graças a essa mania de acreditar nós provamos todos os dias que a vida vale a pena. Porque não deixamos de viver só porque a vida um dia irá terminar. Não deixamos de dormir e sonhar só porque o dia irá amanhecer. Não deixamos de amar só porque o tempo irá afastar.

Viver consiste em aproveitar ao máximo o meio entre um começo e um fim. E só.

O fim pode demorar quatro anos, mas ele chega e chegou para nós, mas só aqui. Isso foi um capítulo, um caminho compartilhado que agora se divide em outros tantos cada qual com sua missão pelo mundo. O mundo é grande e a porcentagem de chance de nos perdermos é maior ainda.

Outros caminhos surgirão. Lutaremos outras batalhas em outros campos ao lado de outros soldados, faremos novos amigos, amaremos outras pessoas, prometeremos tudo outra vez em outras histórias. E, o melhor de tudo, ainda nos lembraremos uns dos outros, ainda seremos os mesmos. Com o mesmo humor, com o mesmo jeito, com o mesmo brilho nos olhos, só que com novas histórias na mala porque história a gente faz para poder contar.

O fim traz o começo de alguma outra coisa que ainda vamos descobrir, mas isso não tem importância agora que eu decidi que este é um texto sobre fim. Mas não é um fim qualquer, é um fim sonhado, um fim iluminado, batalhado, conquistado e, nem de longe, triste. É um final construído sobre muito amor, um final feliz porque mesmo sabendo que ele chegaria, nós vivemos, amamos, sorrimos, construímos e sonhamos. Toda história tem começo, meio e fim. Na nossa nós, com certeza, aproveitamos o meio.

Com todo meu amor para a turma de Jornalismo, da história 2012 – 2015, da Faculdade Assis Gurgacz.

Bethania Davies

Foto: reprodução.

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