Plano Bê: era uma vez…

plano beEla era uma menina inteligente tirava boas notas, mas não era popular. Ele todo bagunçado e não penteava o cabelo direito para ir pra escola. Porém, tinha muitos amigos para brincar no recreio. Na segunda série ele ainda não sabia ler direito. Reprovou. Ela não. Era experta e foi melhor aluna da sala todos os anos até sair da escola. Ele ficou na segunda por mais uns dois anos. Ela sonhava em ser cantora. Ele jogador de futebol. Fazia gols e corria de braços aberto igual ao Bebeto na aula de educação física, enquanto ela passava o tempo a escrever pelo caderno frases das musicas da dupla Sandy e Junior. Sempre se viam, mas não tinham uma opinião formada um do outro.

O tempo passou, sempre passa. Os dois já não estudavam mais na mesma sala, mas ela acabou notando que ele era um garoto legal. Ele não notou nada; era apaixonado por uma colega de sala que não queria nada da vida, aquelas patricinhas. Todos adolescentes. Ela tinha raiva porque os meninos sempre gostavam das patricinhas, aquelas com pose de menininhas frágeis que se vestiam de rosa e tinham cadernos da Barbie, e ela definitivamente não era uma. Mas insistiu e conseguiu ganhar o coração do menino. Namoraram escondidos por um tempo até que os pais dele resolveram se mudar pra Marte. Mentira! Não era outro planeta, mas era tão longe quanto. Bem mais longe do que ela podia compreender. Ela ficou na pequena cidade. O que dois adolescentes poderiam fazer? Separaram-se.

Ele foi pra rever os amigos umas três vezes depois, e quando se viam sentiam tudo de novo! No entanto, por uma daquelas coisas que não se sabe explicar, não conseguiram ficar juntos. Depois de algumas poucas idas ele nunca mais voltou. Era óbvio que ele tinha feito amigos lá, encontrou um jeito de ser o carinha popular lá também, na cidade onde foi morar, já não precisava dos antigos amigos, cresceu, mudou. As coisas também mudaram pra ela. A moça que não era popular cresceu e aprendeu a se garantir. Ele se casou. Ela se formou no colegial no mesmo ano em que ele foi pai. Ela decidiu que não iria pra faculdade e arrumou um emprego e um namorado, namorou por quatro anos. Ele se separou no ano em que ela planejava se casar.

Sempre se lembravam um do outro, mas o tempo havia roubado tantas memórias e mudado tanto os caminhos que era desnecessário sofrer de novo por algo que já havia doído tanto. E talvez nunca mais pudessem se encontrar. O namoro dela acabou por um desses motivos que a gente não sabe. Ela se mudou de cidade. Ele se mudava uma vez por ano agora, não era do tipo que criava muitas memórias num lugar e tinha uma namorada, uma patricinha, em cada cidade que passava. Nunca deixou de ser lindo. Ela que nunca foi nem bonita nem patricinha, agora entendia por que nunca conseguiu se parecer com aquelas meninas: é que elas não tinham opinião nem vontade própria. Já ela se tornou uma mulher linda, inteligente, culta e sempre pensava no quanto ele se orgulharia de vê-la agora.

Ele quebrou a cara várias vezes e aprendeu bastante também, se tornou um homem, o que ela aprendeu na escola e nos livros ele aprendeu na vida. Ele acumulava dinheiro porque sentia que um dia a encontraria e então poderia pedir pra que, dessa vez, abandonasse tudo partisse com ele. Agora ele é pai e homem de negócios e ela foi pra faculdade. Muita coisa mudou, os planos e sonhos da infância tomaram outros rumos. A vida se fez como devia ser. Ela gosta de sertanejo e ele vai para o pagode. Ela se apaixona toda semana e ele nunca se esqueceu dela. Nem ela, mas ainda assim se apaixona, é que ela adora se apaixonar, e o medo de ser deixada novamente não a deixa se entregar.

Agora ela tem 24 anos, muitas paixões e nenhum namorado. Ele tem 25, muitas namoradas e nenhum amor. Ela já está se preocupando com o que irá fazer com sua vida, 24 é uma idade chata. Ela ainda não é cantora ele também não é jogador… Encontraram-se pela internet no ano passado. Ele queria vê-la, ela não. Ele se mudou pra perto e insistiu, ela continuava alegando que doze anos é muito tempo, que eles não eram mais os mesmos. Só que o que ela não sabia era que depois de tanto tempo ele ainda tinha aquele poder de convencimento sobre ela e a convenceu. Então tentaram.

Amor só termina quando se prova que terminou e eles ainda estão tentado. De resto, nada de extraordinário, é uma historia de amor como outra qualquer, mas depois de tanto desencontro o novo começo já está melhor que a encomenda.

Bethania Davies

 

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