Plano Bê: não é uma declaração

plano be

Tenho vontade de te escrever um milhão de poemas. De parar em frente à rua da sua casa e gritar que eu te amo. De sair escrevendo nos muros da cidade toda. Eu já não tenho mais medo. Eu já perdi a noção do certo e errado. E eu sempre faço tudo errado mesmo e já não sei mais o que fazer. Por que você fica entre um sorrisinho meigo e outro ‘eu também’, e às vezes some. Aí eu não sei se te espero ou te esqueço, se me desespero ou se desapareço. Depois você aparece com essa cara de “tcharam” como quem faz uns truques mágicos pra encantar uma criança e perco a pose quando você sorri. Mesmo que esteja furiosa, mesmo que esteja pra desistir, eu mudo todos os meus planos quando você chega.

Eu tenho vontade de te perguntar se você não gosta mesmo de mim, e se nós nunca vamos poder ficar juntos. Porque daí eu iria parar com essa loucura de querer você todo dia. Eu iria tentar não chorar quando ouço aquela musica. Não sei, eu não sei mais o que eu faço. Eu já te contei tudo, você já sabe meus medos e tece todos os seus truques com eles pra me deixar ainda mais boba. Então eu não me contenho mesmo e conto pra todo mundo, juro que não entendo como você não veio correndo pra mim quando soube. Deu errado não era esse meu plano. Meu plano não era você ficar por ai espalhando seu amor pra todo mundo e mostrando esse sorriso lindo e branco pra qualquer uma. Era pra mim que você tinha que vir. Eu te libertei pra você ser meu. Como o príncipe que beija a bela adormecida, é isso!

 Por mais egoísta que isso pode parecer, era pra mim que você deveria dar o sorriso mais bonito. Por acaso não sou eu o amor que seu coração diz querer? É pra mim que você tem que vir, meu amor, hoje ou daqui a mil anos. É pra mim. É por mim que você deve acordar todos os dias. Eu quero você aqui. Perdido entre as minhas confusões e se achando nas minhas confissões, se enxergando nos meus olhos e viciado no meu sorriso. Porque só por você é essa loucura toda.

Isso não é uma declaração, eu nem sei escrever declaração de amor. Ou é? Pode ser então. E tomara que tudo o que eu escrevi não entre pra sua gaveta de ‘coisas pra resolver depois’. Isso é um pedido, um segredo, um último grito de socorro, um alerta pro seu coração. Só dessa vez, me ouve, por favor.

Bethania Davies

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