Plano Bê: uma carta

carta

Olá, sou seu coração. Senta ali. Espero que você leia até o fim, porque é muito importante que saiba algumas coisas. Estive aqui quietinho por um tempo e tenho percebido ultimamente que você anda sorrindo feito boba por aí. Também notei que, devido algumas coisas que passam pelo seu cérebro, aquele idiota, meus movimentos andam se alterando demais quando você encontra uma pessoa específica. Na verdade quem devia estar te falando isso era ele, seu cérebro (sua razão), mas você perdeu o juízo, e logo eu, que gosto tanto de me apaixonar sem me importar com nada, tive que parar para te bater essa real sobre paixões… Aff odeio ser chato, que saco!

Tá bom, vamos lá: toma cuidado menina. Cuidado pra quem você vai me entregar. Eu sei que aquele moço te machucou e você disse ‘nunca mais’. E eu também sei que esse outro chegou tão leve, fazendo piada sobre seu cabelo, fazendo graça pra te arrancar gargalhadas inesperadas e te chamando de linda, mas cuidado.  Eu sei que ele te olhou como quem vê coisas em você que tantos outros, que já passaram, nunca perceberam. Ele te faz bem e segura sua mão, ele espera você entrar em casa e fechar a porta para arrancar com o carro da frente do seu portão. Ele te cuida, eu sei. Ele diz pra vocês terem um filho e morar numa casa de portão branco. Eu sei que ele é diferente, mas cuidado. Quem te garante que essa não é só mais uma maneira de ser igual, ou seja, um igual que você ainda nunca teve contato, por tanto não criou anticorpos para lidar com ele. Quem te garante que ele não vai nos deixar como os outros?

 Eu sei que ele não te pediu nada, mas quem disse que amor se pede? Amor se da sem pedir nada em troca mesmo, mas, por favor, se dê mais devagar. Não deixe ele te encantar tanto assim mesmo que pareça incrível, mesmo que pareça seu super-herói.

Eu sei que você vai usar meu próprio ditado e dizer“e daí se der errado, ninguém nunca morreu de amor” contra meus argumentos, mas só eu sei o quanto já nos magoamos com promessas incertas.

Eu sei que ele é lindo, adora seu cachorro, e toca violão te olhando, mas aguenta firme não vai se entregando ainda. Eu sei que o ‘nunca mais’ que você prometeu já era, pois está cansada dos fins de tarde solitários, e que estes mesmos fins de tarde tem uma nova cor desde que ele chegou, mas cuidado. Não vá me entregando assim. É bom gostar e se sentir gostado, mais cuidado. Eu não tenho memória, quem devia ter era seu cérebro, já disse que era ele quem devia estar te falando isso.

Eu não me lembro se doeu alguma vez, pois fui feito para amar, não para pensar, mas andei me olhando e estou com algumas cicatrizes.  Já você, tem memória e não usa, por isso a gente se fode! Fica aí sorrindo pela rua e vai se derretendo assim só porque ele te cuida, te defende, chama de princesa, passa a mão no teu cabelo, te liga pra desejar boa noite, leva flores pra sua mãe. Você odeia domingo a tarde e ele passa os dele contigo te fazendo rir e esquecer que dia da semana é, que mês é, que ano é e se perde no tempo ao lado dele.

Eu sei que ele é atencioso, mas… Do que eu estava falando mesmo? Não tenho mais argumentos. Que se dane! Eu estou bem, não se preocupe comigo. Minha existência só faz sentido se você amar. Eu só estou realmente vivo quando você se apaixona. Então vai lá, seja feliz. De novo, como todas as outras vezes quando também nos machucamos, mas fomos os loucos mais felizes do mundo. Se joga! De novo. E de novo. E de novo. Um dia você acerta e até lá teremos amado muito! Por que amor é a única coisa que importa.

Assinado: seu coração.

Bethania Davies

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