Plano Bê: domingo insano

escrevendo

Será que alguém pode me dizer qual é a maneira correta de proceder quando alguém te deixa num domingo? Eu já odiava domingo mesmo! Domingo é uma merda!  Porque você não tem a expectativa da sexta nem o sol prometedor do sábado, nem a ressaca da segunda. Domingo é um dia inútil feito pra visitar tias, olhar fotos antigas, lembrar do passado, escrever textos apaixonados e, no meu caso, morrer de tédio. E agora, fazer o quê?

Ligar pra aquele ex que vive correndo atrás de mim? Beijar o primeiro babaca que aparecer? Conferir na minha lista de contatos se existe alguém que poderia me salvar? Chorar? Sair correndo? Tomar um litro de Vodka? Meu Deus!!! Ainda não resolvi o que vou fazer, estou pensando, mas qualquer coisa muito precipitada seria esforço demais por você. Enquanto decido, escrevo. Aproveito e coloco uma música, que não sei o nome, bem alta, mas tão alta que é pra não ouvir meus pensamentos. E finjo que sou alheia ao mundo,  finjo que flutuo enquanto a musica não acaba. Meu Deus, e quando ela acabar? O que eu faço? Quando acabar todas as músicas que tenho no iPod? Vou ter que ouvir o silêncio gritando teu nome enquanto procuro mais um milhão de melodias pra te apagar.

Como eu odeio você! Você poderia, pelo menos, ter tido a consideração de sumir numa sexta feira, né?! Tão lindo e tão letal. E eu não sei até onde vou com essa de achar que você ainda vai ligar, achar que se importa, achar que meus textos algum dia chegarão até você. Escrevo pra não enlouquecer, a única coisa que me resta é esse caderno onde posso recapitular todos os sentimentos que me causou desde o início. Daria um livro, mas não gosto de passar meus olhos pelo caderno todo e ver que uma história tão bonita terminou com a cena: eu sentada no quarto conversando com essas folhas inúteis cheias de você. Talvez não escrever nada seria a melhor escolha, mas eu me entrego demais. Eu só sei amar assim, preenchendo de amor linhas vazias e deixando-as coloridas. Para isso que servem os cadernos, não? Talvez escrever ainda seja meu melhor remédio, mesmo que hoje seja num domingo e que você nunca leia.

Bethania Davies

Foto: reprodução.

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