Plano Bê: namorando

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Eu tive um namoradinho aos 16 anos, durou apenas o mês de junho, eu era ingênua e queria mostrar pra sociedade que eu tinha uma pessoa que merecia o título de namorado. Assim, o que já havia começado errado, só fez piorar e só seguramos as pontas até passar o dia 12. Não sei por que a gente tem essa hipócrita necessidade de mostrar ao mundo que pertencemos a alguém. Essa história acabou antes de pronunciarmos a palavra amor um para o outro.

Depois eu tive uma pessoa com quem passei quatro “Dia dos Namorados”, e eu fui boba cedendo ao ciúme doentio e aceitando brigas desleais demais para duas pessoas que se diziam maduros. Com tudo isso, fomos felizes e amamos, até o dia em que finalmente acordei e a razão prevaleceu. Resolvi que não me faria feliz desistir do que sou e mudar meus conceitos em nome de uma palavra só: amor. Tive medo do mundo sem ele do lado, meu namorado protetor, mas minha mãe sempre me ensinou a ser autossuficiente. Respirei fundo como quem precisasse não apenas ar pra aquela decisão, mas coragem; me olhei no espelho para ter certeza de quem eu era e saí desse namoro em paz, torcendo para que o amor e eu pudéssemos nos encontrar mais tarde, quem sabe, em outra estrada.

O último dia 12 de junho eu passei com alguém que me fez muito feliz e que me ensinou o sentido da palavra desapego, descobri que alguns relacionamentos começam e acabam simples assim. Aprendi que no mundo há milhões de pessoas indo para todo lugar, e que as vezes seu caminho se cruza com alguém por um tempo pra que os dois aprendam algo, e depois em uma encruzilhada qualquer, chega a hora em que eles se separam e cada um segue sua vida. O desapego e o amor deveriam andar sempre juntos, porque você ama, mas não sente necessidade de ter propriedade sobre a pessoa, assim, no final só ficam as coisas boas. Foi a coisa mais bonita que ele me ensinou e somos amigos até hoje. Mas o amor, ah o amor! Continuei sem sabê-lo.

Como as três histórias fazem sentido? Acontece que hoje é Dia dos Namorados e depois de tudo aquilo, eu encontrei o amor. Um amor que eleva e me faz crescer, amor que transborda e colore a minha vida com alegrias desmedidas. Amor que me deixa livre para que eu me exerça inteira. Amor que todos os dias me mostra tudo que tenho de bonito e errado e, no final, diz que me aceita assim, que me ama assim do jeitinho que sou, com minhas frases desconexas, minha mania de roer unhas e minha coleção de livros cheirando à poeira velha. Amor que liberta com os olhos e abraça com o coração.

Um amor como nunca meus olhos imaginariam ver, mas agora faço questão de vê-lo todos os dias no meu espelho. Acontece que todo esse tempo eu procurava o amor fora. Mas agora o encontrei onde ninguém mais conseguiu perceber. Aqui. Em mim. Porque só quando estiver transbordando de amor próprio é que uma pessoa está pronta para o amor de outrem. Ninguém merece carregar a responsabilidade de nos preencher. E meus dias dos namorados se tornaram bem melhor depois que aprendi isso. Porque dia dos namorados não é só para casais.

Feliz Dia dos Namorados a todos os que descobriram o mesmo amor que eu!

Bethania Davies

Foto: reprodução.

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